Nesta página eu explico a engenharia interna do meu sistema: como eu decomponho tokens em prefixos + núcleo + sufixos, como eu testo se essa decomposição é estável, e como cada peça altera a leitura funcional (ação, estado, conector, medida, etc.). A ideia é simples: um token não é uma palavra indivisível — ele costuma ser um pacote compacto de instruções.
1) O modelo mental: PFX + NUC + SFX
Eu trato muitos tokens como compostos, do tipo:
(prefixo[s]) + núcleo lexical + (sufixo[s])
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Prefixo (PFX): muda o modo do token (disparo de execução, escopo, rótulo, indexador, “entrada de rotina”, etc.).
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Núcleo (NUC): o “corpo” recorrente que carrega a função base (operação, material, ponte, qualificador).
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Sufixo (SFX): muda o aspecto/estado (em curso, fixado, derivado, coletivo, medido, reforçado…).
Essa visão é o que permite tratar o texto como procedural: o token vira uma espécie de “comando com bandeiras”.
2) Como eu chego em um NÚCLEO
Eu só promovo algo a “núcleo” quando aparecem sinais fortes de produtividade:
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Recorrência: o elemento aparece em vários tokens (não é hapax solitário).
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Substituibilidade: o mesmo núcleo aceita sufixos diferentes e o token continua “encaixando” como função.
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Estabilidade de papel: em contextos semelhantes, o núcleo mantém comportamento (ex.: tende a ser OP, ou CON, ou MAT).
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Economia: a segmentação reduz exceções; não cria mais problemas do que resolve.
Quando isso não acontece, eu marco como UNK / INCERTO e sigo — porque o método precisa tolerar “não sei”.
3) O que os PREFIXOS fazem
3.1 Prefixos como “disparadores” de execução e escopo
No meu léxico atual, alguns prefixos funcionam como modo operacional: eles não “traduzem” um substantivo; eles dizem como ler o que vem depois.
QOT-: modo comando / imperativo de ciclo-base
Exemplo: QOTEOS é descrito como “EXECUTAR OTEOS (Ciclo-base em Modo Comando)” com morfologia QOT- eo +-s.
Leitura funcional: o prefixo QOT- força interpretação como execução/disparo, não como nome.
QO-: operador de escopo / reinjeção de ciclo
O verbete QOKY explicita MORPH: QO- ky e trata QO- como operador (inclui nota de reduplicação e “reinjeção operacional”).
Leitura funcional: QO- coloca o núcleo dentro de um “escopo operacional” (um modo de ciclo).
OT-: operador/etiqueta de modo e variações do ciclo
Ex.: OTOREES aparece como MORPH: OT- oreee +-s com leitura de reforço/recirculação extra.
Leitura funcional: OT- marca uma família operacional; o resto do token define o subgesto e seus modificadores.
3.2 Prefixos como “indexadores” ou rótulos estruturais
Alguns prefixos funcionam como marcadores estruturais (não exatamente verbo, não exatamente substantivo).
L-: marcador de derivação/entrada rotulada
Ex.: L- fol em LFOL.
E combinações como LSHDY (MORPH: L-+SH- dy) sugerem composição prefixal mais densa.
Leitura funcional: L- serve como rótulo/entrada derivada, muito usado para compor itens.
CH- / OK-: camadas de marcação/ponte demonstrativa (quando aplicável)
Ex.: CHOF é tratado como componente/payload com morfologia chof e função de “lote rotulado” (não um verbo).
E CHOKALY mostra composição CH-+OK- al +-y.
Leitura funcional: esses prefixos podem operar como marcações de “isto/este/slot” + ligação/ponte (ou seja: ajudam o texto a apontar para “o item ativo” sem nomear em língua comum).
Regra editorial do laboratório: se um prefixo ainda não tem função estável, ele fica “hipótese de prefixo” e eu não uso como base de conclusão.
4) O que os SUFIXOS fazem
Se prefixos mudam “modo”, sufixos mudam “tempo/estado” (aspecto) e “papel gramatical”.
4.1 -AIIN / -AIN: estado fixado / concluído (checkpoint)
Ex.: CKHAIIN vem como MORPH: ckh +-aiin e aspecto “concluído/assentado (estado)”, com leitura de estabilização/repouso antes de avançar.
Ex.: FOLAIIN também é tratado como estado/estase com MORPH: fol +-aiin.
Leitura funcional: -AIIN (e -AIN) tende a “transformar” a unidade em estado finalizado (“já está em X”, “registro”, “assentado”).
Regra prática de leitura: terminou em -AIIN → leia como estado concluído, não como ação em curso.
4.2 -Y / -EY / -EEY: modo em curso (ação contínua/gerúndio)
Ex.: SEEY aparece como MORPH: see +-y e CSP “Gerúndio / ação contínua (interprete como -ando/-endo)”.
Ex.: ALEKEEY (MORPH: alek +-eey) também é descrito como gerúndio/ação contínua.
Leitura funcional: -Y/-EEY marca execução em fluxo, algo que “está sendo feito” ou “mantido ativo”.
Regra prática: -Y/-EEY → trate como etapa ativa, não como estado final.
4.3 -DY: derivação/origem/atributo (“de X”, “resultado de X”, “encadeado a X”)
Ex.: KOMDY (MORPH: K- om +-dy) é explicitamente conector/ponte de “modo de / como de” com -DY genitivo/derivativo.
Ex.: OCKHEODY (MORPH: ockheo +-dy) é descrito como atributo derivativo/origem -DY.
Leitura funcional: -DY tende a “colar” o token ao vizinho como derivação, origem, pertencimento ou encadeamento.
Regra prática: -DY frequentemente “desverbaliza”: empurra o token para ponte/atributo em vez de operação principal.
4.4 -AM: medida/fecho/slot (quantização/parametrização)
Ex.: AISAM tem MORPH: ais +-am e é descrito como “AIS em medida/fecho (-AM)”.
Leitura funcional: -AM tende a parametrizar (como se dissesse “em tal medida/condição”).
4.5 -S: coleção/instância/variante (marcador plural/agrupador)
Ex.: QOTEOS usa +-s dentro da análise morfológica.
Ex.: CFHS aparece como MORPH: cfh +-s e é descrito como “classe/coleção”.
Leitura funcional: -S pode sinalizar agrupamento/instância de classe ou uma marca de composição recorrente.
4.6 Sufixos de reforço/intensificação (quando aparecem)
Ex.: OTOREES menciona EEES como reforço/intensificador dentro do token, com leitura de “recirculação extra”.
Leitura funcional: certos blocos finais funcionam como intensificador operacional.
5) Como sufixos e prefixos mudam a leitura (três exemplos completos)
Abaixo estão exemplos no formato do meu pipeline: token → morfologia → efeito na leitura.
Exemplo 1 — “Disparo de ciclo em modo comando”
Token: QOTEOS
Morfologia: QOT- + EO + -S
Leitura: o prefixo QOT- força o token para papel de execução/imperativo. O núcleo define o ciclo; o -S entra como marcador de composição/instância.
Como muda a leitura: sem QOT-, o núcleo poderia ser interpretado como item/etapa; com QOT- ele vira “execute X”.
Exemplo 2 — “Estado concluído (checkpoint)”
Token: CKHAIIN
Morfologia: CKH + -AIIN
Leitura: o sufixo -AIIN desloca a leitura para estado fixado/assentado (“já está em condição de controle/registro”).
Como muda a leitura: CKH- sem -AIIN tende a ser lido como controle/checagem ativa; com -AIIN, vira “controle em estado concluído”.
Exemplo 3 — “Ação em curso (não finalize ainda)”
Token: SEEY
Morfologia: SEE + -Y
Leitura: o -Y empurra para ação contínua (gerúndio).
Como muda a leitura: com -Y, o token vira “mantenha isso rodando”; sem -Y, poderia cair para rótulo/ponte/estado (dependendo do contexto e do núcleo).
6) Regras práticas para o leitor (como “ler por estrutura”)
Estas regras são um atalho para acompanhar as análises do site:
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Termina em -AIIN/-AIN → pense “estado concluído / fixado / checkpoint”.
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Termina em -Y/-EEY → pense “ação em curso / manter ativo / gerúndio”.
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Termina em -DY → pense “derivado de / conectado a / origem / ponte”.
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Tem QOT- / QO- / OT- → pense “modo operacional / escopo / disparo de ciclo”.
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Se duas leituras competem, eu não escolho por “intuição”; eu marco ambiguidade e procuro:
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consistência em outras páginas,
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comportamento do núcleo com outros sufixos,
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impacto na CSP (se gera cadeia procedural coerente ou ruído).
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7) Por que isso importa para a tese
Essa morfologia é o que torna plausível a leitura “linguagem executável”:
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Prefixos funcionam como modos/escopos (equivalente a chamadas/flags).
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Sufixos funcionam como aspecto e estado (equivalente a “rodando / finalizado / derivado / medido”).
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Núcleos funcionam como ações/materiais/ponte recorrentes.
Quando isso aparece de forma produtiva e repetível, o texto se comporta menos como prosa e mais como código de procedimento: compacto, composicional e orientado a execução.
On this page I explain the internal engineering of my system: how I decompose tokens into prefixes + core + suffixes, how I test whether that decomposition is stable, and how each piece changes the functional reading (action, state, connector, measure, etc.). The idea is simple: a token is not an indivisible word—it is often a compact instruction packet.
1) The mental model: PFX + NUC + SFX
I treat many tokens as compounds, like:
(prefix(es)) + lexical core + (suffix(es))
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Prefix (PFX): changes the token’s mode (execution trigger, scope, label, indexer, “routine entry”, etc.).
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Core (NUC): the recurring “body” that carries the base function (operation, material, bridge, qualifier).
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Suffix (SFX): changes aspect/state (in progress, fixed, derived, collective, measured, reinforced…).
This view is what makes it possible to treat the text as procedural: the token becomes a kind of “command with flags.”
2) How I arrive at a CORE
I only promote something to “core” when there are strong signs of productivity:
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Recurrence: the element appears across multiple tokens (it is not a lone hapax).
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Substitutability: the same core accepts different suffixes and the token still “fits” as a function.
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Role stability: in similar contexts, the core keeps its behavior (e.g., it tends to be OP, or CON, or MAT).
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Economy: the segmentation reduces exceptions; it does not create more problems than it solves.
When that does not happen, I mark it as UNK / UNCERTAIN and move on—because the method must tolerate “I don’t know.”
3) What PREFIXES do
3.1 Prefixes as execution “triggers” and scope
In my current lexicon, some prefixes function as operational mode: they do not “translate” a noun; they tell you how to read what follows.
QOT-: command mode / base-cycle imperative
Example: QOTEOS is described as “EXECUTE OTEOS (Base-cycle in Command Mode)” with morphology QOT- eo +-s.
Functional reading: the QOT- prefix forces an execution/trigger interpretation, not a nominal one.
QO-: scope operator / cycle reinjection
The entry QOKY states MORPH: QO- ky and treats QO- as an operator (including a reduplication note and “operational reinjection”).
Functional reading: QO- places the core inside an “operational scope” (a cycle mode).
OT-: mode/tag operator and cycle variations
E.g., OTOREES appears as MORPH: OT- oreee +-s with an extra reinforcement/recirculation reading.
Functional reading: OT- marks an operational family; the rest of the token defines the sub-gesture and its modifiers.
3.2 Prefixes as “indexers” or structural labels
Some prefixes function as structural markers (not exactly a verb, not exactly a noun).
L-: derivation marker / labeled entry
E.g., L- fol in LFOL.
And combinations like LSHDY (MORPH: L-+SH- dy) suggest denser prefixal composition.
Functional reading: L- acts as a label/derived entry, widely used to compose items.
CH- / OK-: marking/bridge layers (when applicable)
E.g., CHOF is treated as a component/payload with morphology chof and a “labeled batch” function (not a verb).
And CHOKALY shows composition CH-+OK- al +-y.
Functional reading: these prefixes can operate as “this/slot” markings + linkage/bridge (i.e., they help the text point to “the active item” without naming it in a shared language).
Lab editorial rule: if a prefix does not yet have a stable function, it remains a “prefix hypothesis,” and I do not use it as a basis for conclusions.
4) What SUFFIXES do
If prefixes change “mode,” suffixes change “time/state” (aspect) and “grammatical role.”
4.1 -AIIN / -AIN: fixed / completed state (checkpoint)
E.g., CKHAIIN appears as MORPH: ckh +-aiin and aspect “completed/settled (state),” with a stabilization/rest reading before advancing.
E.g., FOLAIIN is also treated as state/stasis with MORPH: fol +-aiin.
Functional reading: -AIIN (and -AIN) tends to “turn” the unit into a finalized state (“it is already in X,” “record,” “settled”).
Practical reading rule: ends in -AIIN → read as a completed state, not as an action in progress.
4.2 -Y / -EY / -EEY: in-progress mode (continuous action/gerund)
E.g., SEEY appears as MORPH: see +-y and CSP “Gerund / continuous action (interpret as -ing).”
E.g., ALEKEEY (MORPH: alek +-eey) is also described as gerund/continuous action.
Functional reading: -Y/-EEY marks execution in flow, something that “is being done” or “kept active.”
Practical rule: -Y/-EEY → treat as an active step, not as a final state.
4.3 -DY: derivation/origin/attribute (“of X,” “result of X,” “chained to X”)
E.g., KOMDY (MORPH: K- om +-dy) is explicitly a connector/bridge for “mode of / as of,” with -DY as genitive/derivative.
E.g., OCKHEODY (MORPH: ockheo +-dy) is described as a derivative/origin attribute -DY.
Functional reading: -DY tends to “glue” the token to its neighbor as derivation, origin, belonging, or chaining.
Practical rule: -DY often “de-verbalizes”: it pushes the token toward bridge/attribute rather than main operation.
4.4 -AM: measure/closure/slot (quantization/parameterization)
E.g., AISAM has MORPH: ais +-am and is described as “AIS in measure/closure (-AM).”
Functional reading: -AM tends to parameterize (as if saying “under such-and-such measure/condition”).
4.5 -S: collection/instance/variant (plural/grouping marker)
E.g., QOTEOS uses +-s in the morphological analysis.
E.g., CFHS appears as MORPH: cfh +-s and is described as “class/collection.”
Functional reading: -S can signal grouping/class instance or a recurring compositional mark.
4.6 Reinforcement/intensification suffixes (when they appear)
E.g., OTOREES mentions EEES as reinforcement/intensifier inside the token, with a “extra recirculation” reading.
Functional reading: certain final blocks function as an operational intensifier.
5) How suffixes and prefixes change the reading (three complete examples)
Below are examples in my pipeline format: token → morphology → effect on reading.
Example 1 — “Cycle trigger in command mode”
Token: QOTEOS
Morphology: QOT- + EO + -S
Reading: the QOT- prefix forces the token into an execution/imperative role. The core defines the cycle; -S enters as a composition/instance marker.
How it changes the reading: without QOT-, the core could be read as an item/step; with QOT- it becomes “execute X”.
Example 2 — “Completed state (checkpoint)”
Token: CKHAIIN
Morphology: CKH + -AIIN
Reading: the suffix -AIIN shifts the reading toward a fixed/settled state (“already in a control/record condition”).
How it changes the reading: CKH- without -AIIN tends to be read as active control/checking; with -AIIN, it becomes “control in a completed state.”
Example 3 — “Action in progress (do not finalize yet)”
Token: SEEY
Morphology: SEE + -Y
Reading: -Y pushes toward continuous action (gerund).
How it changes the reading: with -Y, the token becomes “keep this running”; without -Y, it could fall toward label/bridge/state (depending on context and the core).
6) Practical rules for the reader (how to “read by structure”)
These rules are a shortcut for following the site’s analyses:
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Ends in -AIIN/-AIN → think “completed / fixed state / checkpoint”.
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Ends in -Y/-EEY → think “in-progress action / keep active / gerund”.
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Ends in -DY → think “derived from / connected to / origin / bridge”.
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Has QOT- / QO- / OT- → think “operational mode / scope / cycle trigger”.
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If two readings compete, I do not choose by “intuition”; I mark ambiguity and look for:
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consistency on other pages,
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the core’s behavior with other suffixes,
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impact on CSP (whether it yields a coherent procedural chain or noise).
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7) Why this matters for the thesis
This morphology is what makes the “executable language” reading plausible:
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Prefixes function as modes/scopes (equivalent to calls/flags).
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Suffixes function as aspect and state (equivalent to “running / finalized / derived / measured”).
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Cores function as recurring actions/materials/bridges.
When this appears in a productive and repeatable way, the text behaves less like prose and more like procedural code: compact, compositional, and execution-oriented.

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